DATA: 27/02/2026
HORA: 08:30
LOCAL: DEFESA DE TESE
TÍTULO: O ENSINO DOS GRUPOS ORACIONAIS ADVERSATIVO-CONCESSIVO E CONCLUSIVO-CAUSAL SOB O OLHAR DA TEORIA DAS OPERAÇÕES PREDICATIVAS E ENUNCIATIVAS (TOPE): O EPILINGUISMO COMO PONTO DE PARTIDA
PALAVRAS-CHAVES: Ensino produtivo. Gramática. Articulação de orações. Tope.
PÁGINAS: 194
GRANDE ÁREA: Linguística, Letras e Artes
ÁREA: Linguística
RESUMO: O ensino de língua materna (no nosso caso, a língua portuguesa) tem sido assunto muito discutido em O ensino de língua materna (no nosso caso, a língua portuguesa) tem sido amplamente discutido em diversos âmbitos da sociedade, e não há dúvidas acerca da importância e da necessidade dessas discussões. No entanto, tanto no plano teórico quanto na prática em sala de aula, é possível identificar divergências significativas nas abordagens adotadas. Na condução das aulas de Língua Portuguesa no Brasil, observa-se, com frequência, ora o predomínio de práticas centradas na gramática prescritiva e/ou descritiva, ora a valorização das chamadas aulas de texto, porém sem a devida análise linguística e, consequentemente, sem a reflexão sobre o funcionamento linguístico desses textos – isto é, sem a manipulação dos enunciados em si. Nem o ensino excessivamente apoiado na metalinguagem e na taxonomia, nem aquele centrado apenas no contexto, dissociado do cotexto, contribuem de maneira significativa para a ampliação das habilidades linguístico-discursivas dos estudantes, já que ambas as abordagens se mostram fragmentadas. Como consequência, parte dos alunos perpassa o ensino médio e entra no ensino superior apresentando dificuldades de interpretação e produção de textos, mormente no que diz respeito à análise e à articulação de orações no interior de períodos complexos. Diante desse cenário, este trabalho teve como objetivo discutir o ensino da gramática e propor atividades didáticometodológicas fundamentadas no caráter reflexivo, voltadas ao aprimoramento das habilidades relacionadas à articulação de orações, delimitando–se às que a tradição gramatical chama de adversativa, concessiva, conclusiva e causal. As discussões tiveram como aporte teórico a Linguística da Enunciação, mais precisamente a Teoria das Operações Enunciativas (Tope), desenvolvida por Antoine Culioli. O diálogo estabelecido com trabalhos desse autor (1999a; 1999b), e outros – também da Tope –, como De Vogüé; Franckel e Paillard (2011), Romero et al. (2019), Rezende (2000), mostrou-se produtivo para a compreensão do funcionamento enunciativo das relações entre as orações. Ao longo da discussão, retomaram-se, em convergência ou divergência, contribuições de estudiosos do ensino de gramática, como Franchi (2006), Neves (2010; 2017), Antunes (2009) e Batista (2018; 2019), situando a pesquisa no campo da didática da língua portuguesa. Realizou-se, ainda, uma interface crítica com gramáticas amplamente utilizadas no contexto educacional brasileiro, como as de Bechara (2024), Cunha e Cintra (2025), Lima (2017), Hauy (2014), Azeredo (2018), bem como a obra de Garcia (2010), evidenciando os limites das descrições tradicionais quando confrontadas com uma abordagem enunciativa. A metodologia adotada consistiu em uma pesquisa de natureza descritiva, baseada na manipulação de enunciados constituídos por períodos compostos, em uma interface adversativa-concessiva e conclusiva-causal, segundo a classificação da gramática tradicional, extraídos de livros didáticos, textos jornalísticos, propagandas, textos literários, produções discentes e enunciados elaborados para fins analíticos. Os resultados corroboraram a hipótese inicial de que a adoção de práticas epilinguísticas, baseadas na manipulação dos enunciados, favorece a compreensão dos valores semântico-enunciativos das relações interoracionais, ampliando a capacidade analítica e produtiva dos estudantes. Ao mesmo tempo, indicaram que a Tope oferece contribuições relevantes para uma abordagem mais produtiva do ensino de línguas, ao permitir que o aluno compreenda a gramática como um sistema de operações de construção de sentido, e não como um conjunto estático de regras.
MEMBROS DA BANCA:
Interno – 608.***.***-51 – ISAEL DA SILVA SOUSA – UEMA
Interno – 3108138 – IVEUTA DE ABREU LOPES
Externo à Instituição – 515.***.***-53 – LEOSMAR APARECIDO DA SILVA – UFG
Presidente – 423483 – MARIA AUXILIADORA FERREIRA LIMA
Externo à Instituição – 058.***.***-66 – MARÍLIA BLUNDI ONOFRE – UFSCAR